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 Uma luz escura no futuro do 3D | Pastor Claybom
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Uma luz escura no futuro do 3D

A tecnologia 3D pode ter um futuro brilhante pela frente, mas no momento a perspectiva não é essa. O título acima não é apenas uma metáfora, é a pura verdade. Os filmes em 3D[bb] – sejam aqueles originalmente rodados nesse formato, ou os que são convertidos em pós-produção – são exibidos nos cinemas em níveis de luminosidade significativamente mais baixos do que as produções convencionais (2D). E, cada vez mais, esse detalhe atrapalha a diversão do público, deixando os produtores preocupados. Talvez isso prejudique a aceitação dessa tecnologia, que é uma das grandes apostas da indústria de cinema.

Num artigo para a revista Newsweek, o crítico Roger Ebert mencionou que uma das razões para não gostar de ver filmes em 3D era justamente o fato de que a imagem é “muito mais escura” que a dos outros filmes. Mesmo Avatar, que foi rodado em 3D usando técnicas de aumento da luminosidade, precisou ser exibido em níveis de luz equivalentes à metade do normal. E os problemas são exacerbados quando um filme – como o desastroso Fúria de Titãs – é convertido para 3D depois de pronto. O filme era tão escuro que deve ter assustado alguns espectadores…

Até mesmo cineastas estão detestando a tecnologia 3D por causa desse problema. Christopher Nolan, de The Dark Knight e Inception (A Origem no Brasil), por exemplo, conta que se recusou a rodar este último filme nesse formato. “Do ponto de vista técnico, é uma tecnologia fascinante. Mas, na tela, a escuridão que se vê é alienante para o público”. Segundo Nolan, o processo de produção em 3D faz enorme diferença em termos de brilho da imagem. “O público não percebe porque, quando as luzes do cinema se apagam, os olhos compensam a falta de brilho. Mas é impossível colocar filtros polarizadores em tudo”.

Nolan chega a fazer cálculos em foot-lamberts (unidade básica de luminância, que serve para medir o brilho da tela de cinema) para explicar a diferença entre a projeção 3D e a convencional. Mas, ao afirmar que a imagem 2D é projetada a 16 FL, enquanto em 3D perdem-se automaticamente 3FL, o cineasta está subestimando o efeito 3D. Na verdade, um sistema de projeção 3D pode perder até mais de 80% da luminosidade de um sistema 2D, resultando numa imagem de apenas 2 ou 3FL. “Acho que esse é um obstáculo para o público apreciar o 3D”, diz Lenny Lipton, estudioso do assunto desde a década de 1980. “A maior reclamação que se ouve na platéia, e também entre pessoas da indústria, é que os filmes são muito escuros”.
Apenas para recordar como funciona a projeção em 3D:

*A especificação de 16FL é um padrão estabelecido pela SMPTE (Society of Motion Picture and Television Engineers) para um projetor sem filme. Se você coloca um filme 2D com esse padrão de brilho, chega a cerca de 14FL, um nível de luminosidade considerado apropriado.

*Como se sabe, em 3D são projetadas duas imagens, uma para cada olho. Alguns sistemas (como o da Texas Instruments) projetam as imagens em seqüência; outros (como o da Sony) o fazem simultaneamente. Ambos utilizam óculos para misturar as imagens e obter o efeito tridimensional.

*Qualquer que seja o processo, no entanto, ao dividir a imagem em duas perde-se metade da luz. “Metade vai para cada olho”, explica Lipton. “Instantaneamente, os 14FL são reduzidos para sete. Com os óculos decodificando as duas imagens, diminui-se mais ainda a luminosidade”. Isso, segundo ele, acontece tanto no método de polarização RealD quanto no método Dolby de divisão espectral.

O especialista conta que Avatar foi exibido, na maioria dos cinemas, em apenas 4,5FL; outros filmes 3D chegaram a 2FL. E quando o filme não foi rodado em 3D a escuridão é ainda maior, pois o diretor não pode compensar o problema usando mais luz nas cenas.

Outro expert, Doug Darrow, da empresa Laser Light Engines, vai mais longe. “Nos sistemas 3D atuais, o público não está vivenciando a verdadeira imersão que essa tecnologia pode proporcionar. Apesar do sucesso, as imagens não têm brilho suficiente, e dessa forma o efeito não é tão bom quanto poderia ser”.

Embora seja irreal esperar que as projeções em 3D tenham 14 foot-lamberts, a maioria das pessoas em Hollywood concorda que filmes 2D sejam em 14FL e filmes 3D em pelo menos 10FL. Mas, em telas muito grandes, isso jamais acontece; os filmes 3D têm cerca de um terço do brilho dos 2D. “Quando se chega ao nível de 3FL, perde-se a noção da cor e as imagens ficam sem vida”, diz Lipton.

Bem, mas então o que pode ser feito? O problema – diz um executivo da indústria que pediu para não ser identificado – é que não se pode usar lâmpadas muito maiores, nem aumentar a amperagem da fonte de luz; isso causaria superaquecimento, entre outros problemas. Telas de alto ganho, como as que são usadas no sistema RealD, podem aumentar a luminosidade em 2FL, mas isso torna a imagem apenas “tolerável”, acrescenta Lipton, que entre outras atividades trabalhou no desenvolvimento desse sistema.

Steve Pond escreve para o site The Wrap, especializado em filmes



Publicado por Pastor Claybom, pai apaixonado, nerd como marca de nascimento, geek por paixão, adorador por excelência. Enfim, um servo de Deus que tenta entender tudo o que Ele nos oferece no dia a dia.



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